Denúncias de violência contra mulher crescem durante a pandemia

Ficar em isolamento em casa pode ser um privilégio para algumas pessoas. Mas é no próprio lar que muitas mulheres e meninas correm perigo. Segundo dados do Disque 180, do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, houve um aumento de quase 54% no número de denúncias na Bahia entre março até 19 de abril: foram 95 denúncias de violência doméstica no estado no mês passado contra 146 até o último dia 19.

No Brasil, o ministério afirma que houve um aumento de quase 9% no número de ligações para esse canal de atendimento à mulher. A ministra Damares Alves confirmou que “a situação de isolamento eleva o risco de violência. Acreditamos que o apoio dos vizinhos seja fundamental, para interromper situações que podem levar ao feminicídio”, disse.

Comparando com o ano anterior, o número de medidas protetivas concedidas pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ) também aumentou: só no mês passado, o TJ concedeu 2.415 medidas protetivas – um aumento de 17,2% em relação a março de 2019. Na pandemia, essas medidas terão tempo de validade indeterminado.

Mesmo com o aumento no número de medidas e no número de denúncias ao Disque 180, os dados poderiam ser ainda maiores se não fosse a subnotificação. Devido às restrições de deslocamento, as mulheres agora têm mais dificuldade em buscar as instâncias presenciais de denúncia para pedir socorro, acredita a desembargadora Nágila Brito, à frente da Coordenadoria Estadual de Mulheres em Situação de Violência.

Um exemplo disso é que as denúncias ao Disque 180 de janeiro e fevereiro deste ano, quando ainda não havia quarentena, foram maiores: chegaram a 1.232 ligações contra 241 somando março e abril.

Silvio Caldas

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